Sobre as orquídeas

Foto e Grafia: Tere Tavares |

Como se retirasse dali toda a importância dos últimos meses, ouve os tons interrogativos do horizonte. Agora os lilases dos olhos são azul-acinzentados. Como no dia em que acabara de ler Niels Lyhne. Avança em silêncio. Faz novo pedido. Quer saber onde está o supremo mesmo que não exista e ter um colo para depositar o seu pranto enorme.

No fundo claro do mar o espelho da emoção tropeça num par de taças hesitantes. Toma cuidado para somente se aproximar quando não há ninguém. Novamente os claros lilases se multiplicam num rol de estrelas perfumadas de mistério – uma agradável reminiscência, onde nada mais ressurgiria. Quando a água do mar lhe toca a pele é como se entrasse num céu conhecido há muito tempo.

No engenho do seu mundo o desejo só não é maior que o sonho de um som tranqüilo de umidade em carícia sobre as pedras e o musgo túmido. Com o espírito do acaso, num momento de quase total desaparecimento, dialoga com os entrelaçamentos menos previsíveis. As visibilidades mínimas e sensíveis preenchidas como o adeus de um solitário intruso serão as únicas dignidades que o acompanharão. E nada resta evidente além do alento absurdo daquele brilho.

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Foto por Tere Tavares

Foto por Tere Tavares

 

Tere Tavares é pintora e autora de sete livros: Flor Essência (2004), Meus Outros (2007), Entre as Águas (2011), A linguagem dos Pássaros (Editora Patuá 2014), Vozes & Recortes (Editora Penalux 2015), A licitude dos olhos (Editora Penalux 2016), Na ternura das horas (Editora Assoeste 2017). Participou de antologias, jornais e sites no Brasil e Exterior.

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1 comentário Adicione o seu

  1. Tere Tavares disse:

    Minha gratidão aos editores Felipe Assunção e Tiago K Pereira pelo convite, recepção e publicação de meus textos e fotos, “Fotos e Grafias”, leiamos e olhemos.

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